segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Enquanto eu fico pendurado aqui nessa corda

As minhas mãos
ardem
quando eu escorrego.
Eu estou pendurado
numa corda
segurando firme
morrendo de medo
de cair
e não sei bem
porque.
Olho para baixo
não vejo nada.
Não sei o que há
lá.
Pode ser qualquer
coisa,
mas é a minha vida,
sabe?
E, simplesmente,
não sei se quero
me jogar para o novo.
Não sei se vale
a pena
me prender ao desconhecido.

Eu sei que haverá mulheres
lá.
Mas elas irão me fazer
sorrir?
Eu sei que haverá vento
no rosto.
Mas eu conseguirei fechar os olhos
e aproveitar?
Eu sei que haverá abraços.
Mas eles serão de verdade?

E mesmo com todas as dúvidas
e com todas as dificuldades
eu tenho uma
certeza.
Certeza que eu
sou livre.
Mesmo pendurado
aqui
nessa corda
eu sou livre.
Livre porque eu posso
abrir a mão.
Livre porque eu posso
continuar
segurando.

Eu sou aquele que acha
um absurdo jogar lixo no chão.
Que as pessoas que o fazem
deveriam ser penduradas em praça
pública
pelo desprezo ao coletivo.
E, mesmo assim
às vezes
eu jogo.
Eu sou aquele que luta
pela verdade.
E grita ser a coisa
mais bonita que se
pode tocar.
E eu minto
por amor.
E minto
até para mim.

E pelo fato
de não precisar impor
nenhum tipo de
sentido ao que
eu sou
e ao que eu grito
eu tenho uma certeza.

Eu sou
livre
pendurado
aqui
nessa corda.

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