sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Ano novo

Era o fim de mais um ano.
E eu só consigo ver o fim
nunca o começo.
Como se todo dia
fosse o fim de um Era.
E, com o ano acabando,
vislumbrava o inicício de novas trevas.
A morte sorrindo para mim
através da janela do ônibus
sozinho
no meio do Uruguai.

Então
essa menina
cheia de caveiras na blusa
ombros como dois pesos para o chão
parou, em pé, do lado do banco
onde eu estava sentado.
De todos os espaços,
ela parou colada em mim.
Eu, sentindo suas coxas no meu
braço. O zíper arrastando em
meu cotovelo.
Pressionava a cintura contra mim
o metal gelado
as coxas macias mesmo cobertas
de jeans.
Eu sentia o seu sorriso
mesmo sem ver
mesmo olhando a janela
e tudo o que passava por mim.
Ela se inclinou para frente
e eu senti as caveiras e seios
roçando em meu rosto.
Olhei em seus olhos
e vi inocência e vi sexo e vi
o ano começando.
Possibilidades, meu deus, tudo
que a gente precisa é de possibilidades.

Cheguei em casa
algum tempo depois
e encontrei este
e mais dois poemas
realmente existenciais
perdidos
na minha cueca.