sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Aos 40

Deitado numa cama, com
tocos de cigarro
enchendo
um cinzeiro
vermelho e
brega.
Uma mulher ao
lado -
uma mulher
sem
nome -
e eu estou
morto.
Então
nos jornais:
"Ilustre poeta que
nunca foi lido
morre."
E irão publicar
uma cópia
deste poema -
escrito aos 20
anos, e sem esperança -
dizendo que eu
sabia das coisas.
Dizendo que eu
falava a verdade.

E alguns críticos
irão se interessar
pelo meu trabalho
e
talvez
eu ganhe uma
biografia
cheia de erros -
meus erros.
E as editoras
irão fazer
algum dinheiro
com isso
enquanto eu fiquei sem
nada,
como Vincent,
mas mantive minha orelha, apesar
de ter desistido
da sanidade -
mesmo aos 20.

E o tempo vai
passar e meus poemas
irão passar e as
pessoas irão notar
que eu não era
realmente
bom.

E eu vou ter acertado
em cheio
novamente
o futuro.
Mas não
espero
elogios e
reconhecimento dessa
vez.

Enquanto meu pau
apodrece e faz
meia duzia de mulheres infelizes
a minha genialidade
volta
ao normal -
a não existir.